Ora olha!

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Localização: Coimbra, Portugal

quarta-feira, novembro 29, 2006

Casa

( Foto: Paisagem da Beira, Castelo de Marialva, Mêda, Portugal, 2003)


Hoje tenho saudades de casa. Do calor da lareira, da Avó, da Mãe. Do cheiro guloso dos cozinhados e das histórias que alimentam os longos serões de Inverno. E a minha imaginação.
...

- «Não sabes que é pecado trabalhar ao Domingo?
- Sei, respondeu o homem, que não sabia que estava ante Nosso Senhor; mas aqui ninguém me vê.
- Pois então posto em lugar que toda a gente te veja.
E o homem foi posto na Lua, com o molho de vides às costas, e é ele que faz as sombras que lá vemos.»
(Adolfo Coelho - Leituras Populares)

Sweet Exile

terça-feira, novembro 28, 2006

Aquela Amizade...



Para que haja Amizade tem de haver primeiro aquele delicioso e indefinível estado chamado "sentir-se à vontade" com a tua companhia, homem ou mulher, de entre uma multidão, que nos desperta o interesse, que vai ao encontro dos nossos pensamentos e dos nossos gostos.

Sweet Exile

sexta-feira, novembro 24, 2006

A inércia do movimento

Encontrei-te à frente daquela fachada, naquele dia, já frio, de sol de Outono.
Procurava um canto para estar um pouco... queria ler aquele livro que já não sei o nome, tomar mais um café e ver o movimento dos outros, pela cidade, pela rua.
Mas fixei-te nessa ala clara de um edifício que fica perdido nessa morada. Contrastavas, com o teu azul marinho, da parede, dos outros, de mim.
Fiquei a observar-te por um breve instante: os teus gestos, a tua expreessão, o teu cabelo, o movimento dos outros em ti. Depois sorri.
Aproximei-me. Os meus passos, irregulares, queriam estar mais seguros, firmes, mas aquele contraste proibía-o.
Estava a seguir a fachada, o ponto azul. Já não queria ler o livro. Nem tomar outro café. O ritmo era, agora, diferente. Mais rápido!
Os outros atropelavam-me, passavam-me à frente, interrompiam-me. Tanta gente!
E a fachada parecia estar distante! Porque é que demorava tanto a alcançá-la?
Será que ainda estarias lá, a contrastar, magnificamente, dos outros, quando eu te alcançasse?
Sweet Exile

terça-feira, novembro 21, 2006

Desenhos e pinturas...



Queria fazer o desenho da minha vida numa folha de papel. Mas, felizmente, descobri que não tenho espaço, que preciso de muitas folhas. De um livro inteiro. São muitos desenhos.

E preciso de muitas cores. E de muitos pincéis também. Lápis, marcadores, tintas...

Quero colorir tudo muito bem, deixar todos os contornos bem definidos, com traço firme e preciso, mas ao mesmo tempo suave e belo. Artístico.

Só que não sou artista de profissão e, muito provavelmente, apenas me irá sair um esboço do que gostaria, uma breve ideia da intenção original. Mas eu sei o que está lá, eu sei o que irei desenhar. Eu sei o valor do momento, a sua intensidade. Isso é o mais importante porque o desenho é meu.

Os desenhos são meus.

Mas eu quero mostrar o livro, partilhá-lo. Abri-lo e deliciar-me com ele. Chorar também... Rir muito! Viajar flutuando na memória e pensar em desenhar e pintar as vivências que o futuro me vai, ainda, trazer.

Talvez os desenhos mais puros sejam os primeiros.

Talvez os melhores desenhos sejam os últimos.

Sweet Exile

quarta-feira, novembro 15, 2006

The piano and the love

O amor tranforma-nos. Mergulhamos num azul diferente, com muitos tons. Quando descobrimos que sentimos esse bater inconfundível somos capazes de actos magníficos, principalmente dentro de nós próprios.
Ser capaz de amar faz-nos maiores.

terça-feira, novembro 14, 2006

Para pensar (mas sem deprimir (risos)...)

A fábrica do poema
Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo!
O poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo!
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! Os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímeros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.
Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
(Adriana Calcanhotto/ Waly Salomão)
Sweet Exile

quinta-feira, novembro 02, 2006

O Problema...

"O problema é que não sou teu namorado.", disse ele.
Ela, só, viu as memórias depositadas no seu íntimo correrem em jeito de película de 24 frames, sentiu as pernas pesadas e imóveis, os músculos enrijeceram, o coração viajou e também o peito acelarou, com a respiração profunda mas rápida que a frase tranportava. "O problema...", "é que não sou..." batia e martelava no seu pensamento, não lhe dando espaço para mais nada. Como agir? O que dizer? Empalideceu, a expressão tentou disfarçar a tristeza que lhe corria nas veias, nos pensamentos. Estava derrotada. Tinha caído e, parece, que o tombo foi grande. Os ferimentos eram interiores, não se livrando da hemorragia por eles provocada.
Consegue alcançar uma mão que está ali, mas sente a distância, percebe a sua culpa, não se sente merecedora da mão, remete-se ao seu espaço.
Fica, de novo, sozinha, esperando o desenturpecer dos músculos. Espera pelo seu sono, que chegue rápido para não pensar mais! "Amanhã o dia é outro, vai trazer algo de bom, vão haver vitórias."... Respira, reage, respira... "o problema... não sou teu...". Adormece finalmente. Sonha com algo que lhe perturba a paz do cerrar dos olhos. Resiste; afinal, no sonho não há "o problema", ela é maior e Ele e Ela são um só.

Sweet Exile