Ora olha!

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Localização: Coimbra, Portugal

terça-feira, julho 10, 2007

Inclinação sentimental

Dorme bem.
"Te quitabas la faja de la cintura, te arrancabas las sandalias, tirabas a un rincón tu amplia falda, de algodón, me parece, y te soltabas el nudo que te retenía el pelo en una cola. Tenías la piel erizada y te reías. Estábamos tan próximos que no podíamos vernos, ambos absortos en ese rito urgente, envueltos en el calor y el odor que acíamos juntos. Me abría paso por tus caminos, mis manos en tu cintura encabritada y las tuyas impacientes. Te deslizabas, me recorrías, me trepabas, me envolvías con tus piernas invencibles, me decías mil veces ven con los labios sobre los míos. En el instante final teníamos un atisbo de completa soledad, cada uno perdido en su quemante abismo, pero pronto resucitábamos desde el otro lado del fuego para descubrirnos abrazados en el desorden de los almohadones, bajo el mosquitero blanco. Yo te apartaba el cabello para mirarte a los ojos. A veces te sentabas a mi lado, com las piernas recogidas y tu chal de seda sobre un hombro, en el silencio de la noche que apenas comenzaba. Así te recuerdo, en calma. (...)
-Cuéntame un cuento -te digo.
-Cómo lo quieres?
-Cuéntame un cuento que no le hayas contado a nadie." (Carle, R.)


Hoje, Amor, não quero dizer mais nada.



Sweet Exile

quinta-feira, julho 05, 2007

Parabéns Carla!

Há Mulheres extraordinárias no mundo.
Algumas porque são poderosas, outras porque são altruístas.
Outras porque são mães e, outras, porque são simplesmente mulheres.
A Carla é um exemplo de coragem e força. Começou de novo, recomeçou.
Como eu acho que não conseguiria. Parabéns por isso, parabéns pelo teu aniversário.
Tenho imensas saudades tuas, mas tu sabes como é que sou, uma melodramática inveterada...
Muita saúde, sucesso e FELICIDADE.
P'ro ano cá estaremos! :)
"Os amigos não vivem só em harmonia, como alguns dizem,
mas em melodia."
Henry David Thoreau (1817-1862)


Sweet Exile

quarta-feira, julho 04, 2007

Insónia

A insónia que me percorre é branda mas persistente. Instalou-se! Escrever parece-me ser uma boa solução para não dar voltas e voltas nos lençois. Devia ter sono, mas não. O corpo devia pedir repouso, mas não. Percebi que este combate é inútil, vão, demasiado íntimo para esta hora tão tardia.

Falo com a minha consciência, os meus botões. Posso dizer mesmo que hoje é um dia (ou noite) de grande debate. Um autêntico brainstorming instalado! Mas tenho que moderar isto, afinal preciso de dormir. Da análise e avaliação do conflito pouco se conclui, as vontades são antagónicas, poderosas no seu lado, no seu argumento. Não pensava que o meu cérebro fosse tão político. Mas deve ser só por influência dos tempos que correm... (felizmente estou com aquela ideia de que "isto já passa" e que volto a ter o cérebro-coração que me é tão característico).

Curiosamente sinto-me bem, embora deteste insónias. Às vezes descobrimos um certo prazer em coisas que nos transtornam. Deve ser qualquer coisa da psique a funcionar, ou então somos mesmo parvos. Mas neste caso acho que a explicação é outra. Mas não posso contar.
Afinal, que diferença pode um dia fazer? São apenas vinte e quatro horas... E hoje, ainda por cima, está a chover... Lá estou eu a divagar. Desta vez a culpa é da música. Pode ser que apareça um arco-íris... Acorda! É noite e a esta hora não ocorrem esse tipo de fenómenos metereológicos!! Ou então vai dormir e sonha com um!

Sigo a sugestão do meu anjo bom e vou para o ninho.
Vou ler um pouco do meu Eugénio. Talves me embale.
Toma, deixo-te este poema dele, para te embalar também.
Dorme bem.



As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
Até, meu amor, pelo halo das searas;
Se alguma regressasse, nem já reconhecia
O teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
Dói-me esta solidão de pedra escura,
Estas mãos nocturnas onde aperto
Os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
Cada homem tem apenas para dar
Um horizonte de cidades bombardeadas.

Eugénio de Andrade




Sweet Exile