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Localização: Coimbra, Portugal

sexta-feira, novembro 24, 2006

A inércia do movimento

Encontrei-te à frente daquela fachada, naquele dia, já frio, de sol de Outono.
Procurava um canto para estar um pouco... queria ler aquele livro que já não sei o nome, tomar mais um café e ver o movimento dos outros, pela cidade, pela rua.
Mas fixei-te nessa ala clara de um edifício que fica perdido nessa morada. Contrastavas, com o teu azul marinho, da parede, dos outros, de mim.
Fiquei a observar-te por um breve instante: os teus gestos, a tua expreessão, o teu cabelo, o movimento dos outros em ti. Depois sorri.
Aproximei-me. Os meus passos, irregulares, queriam estar mais seguros, firmes, mas aquele contraste proibía-o.
Estava a seguir a fachada, o ponto azul. Já não queria ler o livro. Nem tomar outro café. O ritmo era, agora, diferente. Mais rápido!
Os outros atropelavam-me, passavam-me à frente, interrompiam-me. Tanta gente!
E a fachada parecia estar distante! Porque é que demorava tanto a alcançá-la?
Será que ainda estarias lá, a contrastar, magnificamente, dos outros, quando eu te alcançasse?
Sweet Exile