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quinta-feira, novembro 02, 2006

O Problema...

"O problema é que não sou teu namorado.", disse ele.
Ela, só, viu as memórias depositadas no seu íntimo correrem em jeito de película de 24 frames, sentiu as pernas pesadas e imóveis, os músculos enrijeceram, o coração viajou e também o peito acelarou, com a respiração profunda mas rápida que a frase tranportava. "O problema...", "é que não sou..." batia e martelava no seu pensamento, não lhe dando espaço para mais nada. Como agir? O que dizer? Empalideceu, a expressão tentou disfarçar a tristeza que lhe corria nas veias, nos pensamentos. Estava derrotada. Tinha caído e, parece, que o tombo foi grande. Os ferimentos eram interiores, não se livrando da hemorragia por eles provocada.
Consegue alcançar uma mão que está ali, mas sente a distância, percebe a sua culpa, não se sente merecedora da mão, remete-se ao seu espaço.
Fica, de novo, sozinha, esperando o desenturpecer dos músculos. Espera pelo seu sono, que chegue rápido para não pensar mais! "Amanhã o dia é outro, vai trazer algo de bom, vão haver vitórias."... Respira, reage, respira... "o problema... não sou teu...". Adormece finalmente. Sonha com algo que lhe perturba a paz do cerrar dos olhos. Resiste; afinal, no sonho não há "o problema", ela é maior e Ele e Ela são um só.

Sweet Exile

1 Comments:

Blogger JAbreu said...

Uma peça digna de um poeta louco, sábio e macerado. As palavras balançam com a pequena brisa que irrompe pela janela entreaberta da sala não descrita...os pingos derramdos do frasco de soro...ping, ping,ping... que a cara acolhe em tristeza mas que o coração sente como seu próprio alimento...sempre e sempre há a fresta da janela, daquela sala entupida por memórias, que refresca e trás novas de fora onde o sofrimento é água cristalina que jorra de fontes imaginárias e passam, passam sempre...é certo, passam sempre.

12:23  

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