Insónia
A insónia que me percorre é branda mas persistente. Instalou-se! Escrever parece-me ser uma boa solução para não dar voltas e voltas nos lençois. Devia ter sono, mas não. O corpo devia pedir repouso, mas não. Percebi que este combate é inútil, vão, demasiado íntimo para esta hora tão tardia.
Falo com a minha consciência, os meus botões. Posso dizer mesmo que hoje é um dia (ou noite) de grande debate. Um autêntico brainstorming instalado! Mas tenho que moderar isto, afinal preciso de dormir. Da análise e avaliação do conflito pouco se conclui, as vontades são antagónicas, poderosas no seu lado, no seu argumento. Não pensava que o meu cérebro fosse tão político. Mas deve ser só por influência dos tempos que correm... (felizmente estou com aquela ideia de que "isto já passa" e que volto a ter o cérebro-coração que me é tão característico).
Curiosamente sinto-me bem, embora deteste insónias. Às vezes descobrimos um certo prazer em coisas que nos transtornam. Deve ser qualquer coisa da psique a funcionar, ou então somos mesmo parvos. Mas neste caso acho que a explicação é outra. Mas não posso contar.
Afinal, que diferença pode um dia fazer? São apenas vinte e quatro horas... E hoje, ainda por cima, está a chover... Lá estou eu a divagar. Desta vez a culpa é da música. Pode ser que apareça um arco-íris... Acorda! É noite e a esta hora não ocorrem esse tipo de fenómenos metereológicos!! Ou então vai dormir e sonha com um!
Sigo a sugestão do meu anjo bom e vou para o ninho.
Vou ler um pouco do meu Eugénio. Talves me embale.
Toma, deixo-te este poema dele, para te embalar também.
Dorme bem.
As palavras que te envio são interditas
As palavras que te envio são interditas
Até, meu amor, pelo halo das searas;
Se alguma regressasse, nem já reconhecia
O teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
Dói-me esta solidão de pedra escura,
Estas mãos nocturnas onde aperto
Os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
Cada homem tem apenas para dar
Um horizonte de cidades bombardeadas.
Eugénio de Andrade
Sweet Exile
Falo com a minha consciência, os meus botões. Posso dizer mesmo que hoje é um dia (ou noite) de grande debate. Um autêntico brainstorming instalado! Mas tenho que moderar isto, afinal preciso de dormir. Da análise e avaliação do conflito pouco se conclui, as vontades são antagónicas, poderosas no seu lado, no seu argumento. Não pensava que o meu cérebro fosse tão político. Mas deve ser só por influência dos tempos que correm... (felizmente estou com aquela ideia de que "isto já passa" e que volto a ter o cérebro-coração que me é tão característico).
Curiosamente sinto-me bem, embora deteste insónias. Às vezes descobrimos um certo prazer em coisas que nos transtornam. Deve ser qualquer coisa da psique a funcionar, ou então somos mesmo parvos. Mas neste caso acho que a explicação é outra. Mas não posso contar.
Afinal, que diferença pode um dia fazer? São apenas vinte e quatro horas... E hoje, ainda por cima, está a chover... Lá estou eu a divagar. Desta vez a culpa é da música. Pode ser que apareça um arco-íris... Acorda! É noite e a esta hora não ocorrem esse tipo de fenómenos metereológicos!! Ou então vai dormir e sonha com um!
Sigo a sugestão do meu anjo bom e vou para o ninho.
Vou ler um pouco do meu Eugénio. Talves me embale.
Toma, deixo-te este poema dele, para te embalar também.
Dorme bem.
As palavras que te envio são interditas
As palavras que te envio são interditas
Até, meu amor, pelo halo das searas;
Se alguma regressasse, nem já reconhecia
O teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
Dói-me esta solidão de pedra escura,
Estas mãos nocturnas onde aperto
Os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
Cada homem tem apenas para dar
Um horizonte de cidades bombardeadas.
Eugénio de Andrade
Sweet Exile

1 Comments:
A mim embalou-me.
Parabéns pelo blog, voltarei.
Abraço
L
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