Vidas... e outros complementos meus I
Tinha dois olhitos pequenos, sabidos, vivos. Olhava para mim descaradamente. Não me conhecia mas sabia tudo sobre mim. Era sábia. Esperta. Viva. Que vulnerabilidade a minha! Tinha cabelos rebeldes, castanho- escuro. Demonstrava um potencial carismático que me enebriava e, por isso, sonhei com ela. Temor? Não sei. Respeito? Possivelmente. E um enorme peso de responsabilidade que suscitava a curiosidade de quem quer mas não sabe se pode. Ela era assim: uma perfeita estranha. Mas era, ainda mais, violentamente tentadora. E a curiosidade de a conhecer crescia cada vez mais. Piorava em cada vez que me confundia com aqueles olhitos fundos e brilhantes que lhe eram tão característicos. Mas o impulso e a pressa são inimigos da perfeição. Devo ficar-me pela observação da coisa em si. Devo respeitar o tempo. Devo parar agora. O sentimento, esse, só cresce. Mas calado.
Sweet Exile
