Aqui
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu - eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não por aquilo que só atravessei,
Não p'lo meu rumor que só perdi,
Não p'los incertos actos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.
(Dia do Mar, 1947, Sophia de Mello Breyner Andresen)
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu - eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não por aquilo que só atravessei,
Não p'lo meu rumor que só perdi,
Não p'los incertos actos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.
(Dia do Mar, 1947, Sophia de Mello Breyner Andresen)

1 Comments:
"Aqui sou eu em tudo quanto amei.
(...)
E em cujo amor de amor me eternizei."
A beleza destas estrofes reluzem num olhitos doces vindos de Ferreirim! Assim são e assim se mantenham... Só o ceguinho não vê!
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