Imortais?!?
Enfim, no fundo, no fundo, julgamo-nos imortais, talvez para que assim possamos sobreviver ao (s) medo (s). É engraçado quando, de repente, alguém que gostamos profundamente, alguém que amamos, alguém com quem conversamos todos os dias, morre. Eis-nos aterrorizados, estupefactos, inseguros. Sentimos a ameaça, o bofetão na cara, a pancada seca nas costas. E então e a despedida?!? "Adeus até qualquer dia", assim, gelado, cru. Prosseguimos estando, durante algumas horas, dias, precariamente vivendo, arrastando um qualquer peso pesado, pobres, nus. Dizemos frases feitas, falando da morte: "Era tão boa pessoa", "Mas porquê?", "Não somos nada nesta vida..." de forma a que essas mesmas frases nos façam sentir convictos, pequenos, ínfimos, serenos. "Coitado de quem fica...", coisa assim de falar por falar, que o choque, esse, é sempre maior.
Mas depois, nas horas seguintes, nos dias seguintes, já não somos assim tão mortais, somos os maiores, os mais fortes. Nada de mau nos pode acontecer. Não pensamos, aliás, recusamo-nos a pensar em coisas assim tão deprimentes.
Somos humanos.
Mas depois, nas horas seguintes, nos dias seguintes, já não somos assim tão mortais, somos os maiores, os mais fortes. Nada de mau nos pode acontecer. Não pensamos, aliás, recusamo-nos a pensar em coisas assim tão deprimentes.
Somos humanos.

1 Comments:
Da humanidade já muito foi dito e escrito mas nada mesmo nada nos faz entender o fim...compreendemos a lei da vida mas não a aceitamos...viver como um imortal para perecer como qualquer igual!
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